Em entrevista ao SBT Rio, a Presidente do CRF/RJ, Dra. Tania Mouço, falou sobre as regras e diretrizes a serem seguidas pelas farmácias para a realização dos testes rápidos para diagnóstico da COVID-19.

Embora já tenham sido autorizados pela Anvisa, os testes ainda não estão sendo realizados. Todas as farmácias e profissionais precisarão se adequar as normas exigidas pela Anvisa, como, por exemplo, ter um ambiente especial para o atendimento e equipamentos de segurança necessários para o profissional. O Conselho seguirá com o exercício de fiscalização orientativa, em parceria com a Vigilância Sanitária Municipal, para certificar que os estabelecimentos que optarem pela venda estão seguindo as normas obrigatórias.

Dra. Tania reiterou a necessidade do paciente também ter o diagnóstico médico, já que os testes podem apresentar como resultado o falso negativo e serem apenas confirmatórios, e não comprobatórios.

Confira a reportagem na íntegra:


RIO - Ainda sem um protocolo definido pelo Ministério da Saúde para uso em estados e municípios, os testes rápidos para Covid-19 começaram a ser vendidos em drogarias do Rio. O Conselho Regional de Farmácia do Rio diz que a aplicação dos testes pelos estabelecimentos é ilegal, e a Vigilância Sanitária estadual aguarda regulamentação federal. Em uma farmácia do Leblon, o teste é oferecido por R$ 250. Especialistas contestam a eficácia dos resultados dos exames. O risco é de um “falso passaporte” de imunidade. Quem faz o teste sozinho pode concluir, equivocadamente, que tem anticorpos e está livre do vírus, quando, na verdade, há risco de estar contaminado e também disseminar a doença ao circular sem preocupação pelas ruas.

São 33 tipos diferentes de exames autorizados pela Anvisa. Segundo a Vigilância Sanitária, o Estado do Rio não tem regulamentação para a venda dos testes rápidos em farmácias. Os exames não detectam o coronavírus, mas os anticorpos produzidos pelo organismo (IgM e IgG). A procura é grande, mas a oferta ainda é pouca em razão da origem dos kits, a maior parte vinda do exterior.

Os testes custam R$ 250 em uma drogaria do Leblon. Os primeiros kits chegaram no último sábado, segundo um atendente. O cliente faz o pedido por telefone e um enfermeiro da farmácia vai até a residência fazer o exame.

Em uma farmácia da Barra, há 500 pedidos de kits já reservados por clientes. O gerente da drogaria conta que espera a entrega dos testes pelos fornecedores há uma semana. A maior procura, segundo ele, é de profissionais de saúde. A previsão é que os kits custem de R$ 350 a R$ 390.

— Os testes já deveriam ter chegado, mas aqui no Rio está um problema muito grande de entrega. É muita procura e ninguém tem para vender. Nós pedimos uma quantidade grande, mas, dependendo de quantos chegarem, vão acabar no mesmo dia.

Segundo a Vigilância Sanitária do município, a venda de testes está restrita à rede hospitalar: “O procedimento é irregular e deve ser denunciado à central 1746 para que a fiscalização seja acionada”.

Uma análise de um laboratório particular, encomendada pelo Ministério da Saúde, indicou que há 75% de chance de erro em resultados negativos para o novo coronavírus, enquanto a probabilidade de um falso positivo é de 14%. Com menos de 30% de sensibilidade para os casos negativos, a possibilidade de uma pessoa com esse resultado ter contraído o coronavírus e o transmitir sem saber é grande. Além disso, os falsos negativos levam a um achatamento falso da curva de crescimento da epidemia.

— Esse tipo de teste tem baixa sensibilidade e especificidade. Se for positivo, pode indicar exposição prévia. E não sabemos se esses anticorpos seriam protetores e eficientes contra o coronavírus. Se for negativo, pode ser um falso negativo. O risco desses testes é que podem permitir a circulação de portadores assintomáticos — explica o oncologista e hematologista Daniel Tabak.

Presidente do Conselho Regional de Farmácia, Tania Mouço diz que a venda dos testes para Covid-19 em drogarias é ilegal. Segundo ela, o uso dos exames rápidos está restrito a laboratórios e unidades médicas.

— Estamos tentando junto à Vigilância Sanitária uma forma de regulamentar isso, somos superfavoráveis. Mas não pode ocorrer (a venda) do jeito que está. Nós temos relatos de farmacêuticos que estão se recusando a fazer os testes por falta itens de segurança. Precisa de treinamento.

O uso certo

Umas das vantagens do teste rápido é identificar profissionais de saúde e de outras profissões de risco que tenham contraído Covid-19 há mais tempo e já estejam sem sintomas. Eles vão positivar, o que indica que, em tese, não terão mais a doença, pois têm anticorpos de proteção do tipo IgG, e poderão trabalhar. Para o pesquisador da Fiocruz Manoel Barral, os testes rápidos só são eficientes quando feitos em grandes grupos:

— São testes de baixa capacidade de identificação. Têm utilidade para verificar resposta imune de certo grupo. Individualmente, mesmo quando positivo, o valor do resultado é muito baixo.

Fonte: O Globo

Segundo estado com o maior número de vítimas e infectados pelo novo coronavírus, o Rio de Janeiro, assim como muitos estados brasileiros, tem enfrentado a falta de testes para a Covid-19. No último fim de semana, farmácias da Zona Sul da cidade começaram a comercializar os chamados exames rápidos, que ficam prontos em poucos minutos, a 250 reais. A medida, no entanto, apesar de celebrada pelos cariocas, é ilegal.

De acordo com a Vigilância Sanitária do município, a atual legislação não abrange a realização de testes rápidos para Covid-19 por estabelecimentos farmacêuticos. “Importante esclarecer que cabe à Anvisa a regulamentação para a venda desse tipo de produto, até o momento com a comercialização restrita à rede hospitalar”, diz a nota. O órgão informou ainda que o procedimento é irregular e, pela gravidade do fato que envolve uma pandemia, pode disponibilizar uma equipe do plantão 24 horas para fazer a inspeção nesses endereços.

Presidente do Conselho Regional de Farmácia, a doutora Tania Mouço disse que não é possível afirmar a efetividade desses exames, mas que eles têm uma sensibilidade menor do que os realizados em laboratório. Apesar de ser do mesmo tipo usado nas unidades de saúde, o teste rápido de farmácia, caso não seja usado da maneira correta, pode indicar falsos negativos e fazer a população acreditar erroneamente que está imunizada. “Esse é um tipo de teste indicado para ser feito a partir do quinto dia em que o paciente está com os sintomas da Covid-19. Caso não seja colhida a quantidade de sangue necessária, por exemplo, o resultado poderá ser enganoso”, explicou.

Segundo Tania, é preciso que o farmacêutico tenha um protocolo de atendimento, que inclui equipamento de proteção individual completo (máscara e luvas) e encaminhe o paciente para uma unidade de saúde se o resultado for positivo. “Sei que há farmácias vendendo e profissionais trabalhando desprotegidos, mas ainda não recebi uma denúncia sequer”, afirmou.

O Conselho Regional de Farmácia de São Paulo afirmou que até o momento não recebeu nenhuma denúncia sobre a comercialização desses exames nas farmácias. “Nos preocupa a qualidade dos testes que estão chegando ao Brasil. Muitos carecem ainda de um melhor estudo sobre a especificidade e, principalmente, sobre a sensibilidade. Isto está sendo avaliado por laboratórios de referência e entendemos que precisamos desses resultados para podermos emitir uma opinião sobre a comercialização e realização dos mesmos”, informou a nota.

A Presidente do CRF/RJ, Dra. Tania Mouço, participou do programa “Balanço Geral”, exibido no último dia 13.12.

Em entrevista para a matéria sobre o medicamento Sibutramina, utilizado principalmente por pessoas que desejam emagrecer, Dra. Tania contou um pouco sobre o histórico do medicamento e os efeitos colaterais, principalmente em pessoas que apresentam problemas cardíacos.


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